A TAÇA
palavras formam frases
fazendo períodos
imaginando textos
palavras frases períodos
e textos
sonham sendo prosa livre
e a poesia com musicalidade
afaga a concordância verbal
tinha no tempo da liberdade
vivendo o desejo sentimental
Milton Gama
DOSE UNIVERSAL
nuvens se movimentam
o véu da penumbra cobre
o mundo
trombetas ecoam no infinito
iluminadas por raios celestiais
é
bonito
o vento sopra a esperança
as árvores dançam
soltas faceiras e alegres
é
a bonança
a terra se abre
exalando o cheiro da fêmea
seca-ardente
a água cai penetrando
em movimentos eloqüentes
ora suaves ora frenéticos
é
a volúpia
quando já toda preenchida
transbordando sobre o corpo
a fragrância da vida
as crianças brincam e bebem
esse vinho universal
os animais saem dos abrigos
pulando cantando falando
respirando a brisa viva
sem perceber toda importância
dessa fecundação antiga
as pedras silenciosas
que ainda não foram presas
pelo medo dos homens
deitam e rolam
acompanhando o canto dos sapos
aplaudindo com fervor
esse bonito ato de amor
a chuva
na terra |
Ilustração
edson calmon
|
Milton Gama

DOSE Nº. 1
eu queria que chovesse
vinho
ver em cada mão uma taça
em cada semblante um riso
ver nos campos esverdeados
os animais embriagados
e nessa selvagem beleza
o homem amando a natureza
eu queria que chovesse
vinho
e ver o mundo brincar
em festa trabalho e paz
Milton Gama

DOSE Nº. 2
para olímpia
e enedino
meus pais
era uma vez um menino
menino do interior
amamentado com carinho
engatinhava na terra
solto petas ruas
tomava banho de chuva
na bica do sobrado velho
roubava fruta na feira
cocada na barraca do primo
era uma vez um menino
menino do interior
foi crescendo
livro na pasta
bola no campinho
expulso de escotas
andava pelos pastos
atrás de jumentas
amava também as meninas
o corpo chorava envolvido
entre o conselho e o castigo
severo dos velhos pais
era uma vez um menino
adolescente do interior
foi pensando
conheceu josé de alencar
beijou os lábios de iracema
viu jorge amado
amou gabriela
ouviu o cavaleiro da esperança
chorou com os capitães da areia
riu com monteiro lobato
passeou com érico veríssimo
olhando os lírios dos campos
sonhou com machado de assis
idolatrou castro alves
mordeu a isca da poesia
era uma vez um adolescente
adolescente do interior
foi
pensando |
andou com hermann hesse
vestido como sidarta
mergulhou nas florestas
em nascentes de rios límpidos
bebeu
com Nirvana
ultrapassou os muros dos tempos
percorreu ruas das sociedades
envolveu-se com marx
papeou sobre as esquinas
visando tomeá-las
chocou-se
em vielas
o peso da liberdade
fez na sua mente moradia
filosofou nos bares da vida
buscando sabedoria
afogou-se
em oceanos de frustrações
embarcações sem lemes
perdido entre perdidos
ironicamente anarquizado
viveu no cômodo mal-bom•viver
sentindo no luxo o lixo
sentindo no lixo o luxo
virou geléia geral
sob as fantasias dos líderes
serenamente evaporou
queria
vida
era uma vez um homem
homem do mundo
foi
vivendo
sem medo sem ódio
alto como o céu
cheio como a esperança
perpetuou-se na fortaleza
infinita da poesia
|
Milton Gama


DOSE Nº. 3
paira no ar o hálito
do álcool da morte
no desespero a fuga
um líquido límpido
esmaga-me de encontro
a sólida razão
sinto a fome do mundo
vejo a sepultura estreita
sinto arder a sede de paz
bebo rindo a violência
minha mente se abre
descontraindo o corpo
esperando o amor
nas mãos jovens
fuzis brotam flores
dos corpos sem sangue
sai água regando
florescendo novo estágio de paz
|
no laboratório fabrica criança
torna eficaz o anticoncepcional
enxergo uma civilização decadente
de regimes mortíferos
em sistemas falidos
é a vivência das dúvidas
se perdendo nos fatos
abro a porta da verdade
o silêncio entra
as paredes riem
digo palavrões
é cômico é sério
abrem as prisões
metais forjam meu cérebro
creio no que não creio
vivo o que não vivo
talvez não sobrevivo
a próxima ressaca
|
ilton de Enedino Gama

DOSE Nº. 4
gente
é possível voar
sobre os conceitos
fazer no espaço
da força física
um ar rarefeito
com pouso infinito
no espírito da esperança
gente
é possível sentir
nas prisões fúnebres
a liberdade agonizando
na garganta rouca
um grito surdo
em busca da voz roubada
gente
é possível pensar
no vagar do ego
dessa difícil estrada
fazendo nessa vida
todas as vidas
na simplicidade de viver
gente
é preciso ouvir um som límpido
para perceber as notas
eletrizando a concepção
da existência trópega
sem querer definição |
gente
agora é preciso nascer
em terras adubadas
por mãos amigas
das flores ter o alimento
como o suave colibri
gente
agora é preciso crescer
buscar no semelhante
o afago das mãos
nessa corrente forte
fazer do brilho do sonho
a iluminação da vida
gente
agora mais do que tudo é preciso amar
um simples encontro
nesse novo espaço
o pensamento é livre
os seios são alimentos
os corpos são camas
os espíritos são luzes
gente
agora é preciso viver
com a força de quem navega
na descoberta do próprio ser
gente é preciso ser gente |
Milton Gama

DOSE Nº. º 5
Ilustção
andrea
hollnagel
se acontecer
abre a porta
deixa a presença dele
encher a casa
ilumina nos seus olhos
enxerga a paz
no seu corpo colorido
se acontecer
ouça sua voz
como se fosse música
afaga sua mão
como se fosse uma rosa
embriaga na sua filosofia
tornando um eterno bêbado
Milton Gama
|
|

DOSE Nº. º 6
música música e músicas
para acalmar os deuses
vinho vinho e vinhos
para elevar os espíritos
paz paz e pazes
para amar as vidas
amor amor e amores
para saciar os amantes
é preciso sentir
o som
o sabor
a felicidade
o calor
a intensidade do mistério
para se viver de verdade
Milton Gama
DOSE Nº. 7
nasci poeta
tenho convicção de viver
e morrer na órbita dos sonhos
chão batido forrado de aço
rosas metálicas em jarros plásticos
no ar os detritos dos detritos
mas resta o soluço
nos sonhos elásticos
nasci poeta
ser padre ser ladrão
não é minha opção
porque não zelador
de sanitário público
ou então uma bomba atômica
do tamanho da vida
não não
melhor um cínico
do tamanho do homem
mas resta o soluço
nos sonhos límpidos
nasci poeta
essa sede de ser amante
de ver as coisas em paz
essa busca sensível
anseios abstratos
parece que venho de horizontes
distantes distantes
vou embora fugir de mim
acompanhar os tempos
beijar as impurezas
ah! como gostaria de ser
essa fraqueza
mas eu nasci poeta
quero os laranjais
em todos quintais
ah! poeta vagabundo
sonhar demais é nunca dormir
dorme
Milton Gama

DOSE Nº. 8
como criança
minhas lágrimas
se desfazem em risos
em cada dor
meu semblante
transmite o amor
como reflexo
colorindo o espaço
envolvo-me na vida
buscando o abraço
como pombo-correio
levo a mensagem
penetrando no meio
sem choques
Milton Gama

DOSE Nº. 9
somos quase um todo
apesar da vivência
com medo de chorar
a sensibilidade amiga
eu busco você
essa loucura poética
faz parte da gente
e como nos procuramos
nesse caminho comum
eu busco você
eu um boêmio
poeta sem letras
da vida vaga
sem casa para morar
sou uma esperança
querendo se encontrar
na vasta caminhada
de sonhos a viver
eu busco você
em passos livres
dos pensamentos vividos
no animal no racional
o certo o incerto
essa equação sem fim
talvez exista uma razão
na simples maneira de conviver
eu encontro você
Milton Gama

DOSE Nº. 10
agora surge uma luz
iluminando essa existência
fazendo festa
perto da solidão
agora surge um sonho
de quem nunca acordou
conjugando corpos
na cama cheia de mel
agora se abre um espaço
nessa vida
de quem pensa
encontrar a grande verdade
mas eu só queria
falar do amor
de quem beija uma criança
e de quem afaga a paz
Milton Gama

DOSE Nº. 11
nos templos de Deuses
sem vitórias e vencidos
somos um oceano calmo
para uma tempestade violenta
somos um sussurro meigo
para um grito agudo
somos uma música suave
para um maestro áspero
somos uma visão nova
para uma experiência antiga
somos a vida
fecundada no amor
formando no universo
a planície da paz
Milton Gama

DOSE Nº. 12
a noite é sonho
encanto vadio
companheira responsável
pelos poemas soluçados
solidão
amiga
a noite é lembrança
do além vivido
luzes coloridas
verdades expandidas
vida recolhida
a noite é parceira
corpo sem cama
buscando pureza
beijando a lama
abraço
perdido
a noite é mito
visão indefinida
horizontes embaçados
em lágrimas e alegrias
a noite somos
nós
Milton Gama

DOSE Nº. 13
balança cabeça
nessa corda bamba
faz da força
como se fossem cores
pintando novos valores
relaxa corpo
tão grande tão pequeno
tresloucado nos efeitos
das imagens transcendentais
desse tempo inverso
ah! Fumaça santa
alegria alheia
no mar na sareia
vêm Deuses do homem
acorda esse tempo
liberta essa ansiedade
Milton Gama

DOSE Nº. 14
essa fuga racional
beijando a beleza desconhecida
onde poderia viver
os sonhos das noites vividas
vem
solta essa solidão
grito contido
passos vigiados
liberta-se do medo
jardineira sem flores
vem
vamos amar no infinito
beijando todos os céus
e dormindo em todos os altares
Milton Gama

DOSE Nº. 15
ilustração
paulo
rufino
hoje lembro do vinho
da taça taça de mel
sonhos homéricos
estou sóbrio
farto dessas certezas
egoístas e radicais
o aço abre minhas veias
brindando no lugar do álcool
a lucidez dos chatos
cadê minha melancolia
cadê meu vinho cadê meu véu
cadê meu ninho cadê meu vinho
cadê
meu CÉU
Milton Gama
|
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DOSE Nº. 16
toma-se vago
o espaço ocupado
enche-se de razões desconexas
o desequilíbrio vivido
num apressado véspera do nada
o futuro se contrai se abre
num devaneio de gargalhadas
deixando larvas históricas
para a contínua recomposição
torna-se cheio
o espaço vazio
experiências se somam
numa definição forjada
maliciosamente precipitada
numa sociedade estreita
de labirintos estudados
Milton Gama

DOSE Nº. 17
 para
victor simon

o vagabundo
nasceu
para signo de vagabundo
no soluço indeciso
sentiu a dor do mundo
fecundar em suas entranhas
cresceu
na enxurrada do tempo
enlameando o corpo
em repúdio ao consciente
atacou a estrutura
pensou
sem hora para fazer
da sede fez a música
da fome fez o homem
da vontade fez a vida
viveu
no horizonte do sonho
e numa noite de lua
descobriu que a casa
também era sua
Milton Gama

DOSE Nº. 18
hoje as pessoas
são exatamente
o que não são amanhã
e como as pessoas
não tem o hoje
muito menos o amanhã
pergunto simplesmente
como vai o ontem
Milton Gama

DOSE Nº. 19
para rosalindo
souza
o guerrilheiro
obrigado
por esse mundo hipócrita
dia a dia oferecido
gente pequena
gente grande
nesse famigerado usa desusa
não não tenho nada com isso
mas ainda gosto de vocês
obrigado
mas uma vez obrigado
pelas dores
pelas alegrias
pelos casebres de taipas
pelos palácios dourados
pelas histórias folclóricas
maquiavelmente impostas
obrigado
obrigado mesmo
aceitá-tas ou não
é uma simples opção
é um problema coletivo
entre abismos dos bens
são valas profundas
para funerais calculados
obrigado
obrigado pela imbecibdade
de tanta provocação
sâo forças explícitas
agora é chegada a hora
da coragem e do medo
ou ilumina a casa
ou não elimina o morcego
é...é
obrigado
Milton Gama

DOSE Nº. 20
como se fosse um corpo
transparente em transição
paro forço o equilíbrio
busco as formas das coisas
vago
lembro dos tempos de criança
certifico as razões adultas
viajo
sinto a força da criança
assumo a posição
quase sempre na defesa
não sei como atacar
o que está envelhecido
ser lobo ou carneiro
é melhor virar leão
comer lobo
depois virar carneio
voltar para as pastagens
Milton Gama

DOSE Nº. 21
mundo enlatado
quase nada
Céu manchado
tempo esvaindo
rotina fria
lata explodindo
imponho e fecundo
na vida do sonho
um novo mundo
Milton Gama

DOSE Nº. 22
a porta está fechada
o povo grita sem túnica
procurando um espaço
nessa casa única
fazendo da fome
a vontade de viver
ergue a taça
brinda a luta
onde anda o peixe
pescador de ilusão
o necessário é preciso
a terra é nossa
vamos abrir a casa
vamos fazer o quintal
vamos plantar o alimento
dessa morada geral
Milton Gama

DOSE Nº. 23
existe uma fonte
banhando mentes
de corpos vazios
riso miserável
acorda filho da dúvida
vem
vem viver
terras adubadas
pássaros sem gaiolas
toda rua é espaço
avenida do querer
bate asas
Milton Gama

DOSE Nº. 24
está solto
moleque vadio
força do ir
latifundiário
industria!
lavrador
operário coisa que o valha
são migalhas
abraça raízes
querendo crescer
sente o desespero
dessa máscara faminta
volta triste em pedaços
para o útero da vida
Milton Gama

DOSE Nº. 25
ilustração
edsoleda santos
mulher
universo dos anseios
árvore frutífera
doce de sabor
sem perceber a importância
vaga
vaga na cadeia
entre correntes fracas
solta-se
|
enlaça na prática
o movimento da vida
nessa vontade natural
és passarinho pousando
onde a natureza plantou
as raízes do viver
mulher és terra fresca
adubando o homem
com ondas fortes
na calmaria do encontro
|
Milton Gama
|

DOSE Nº. 26
quando nossas mãos
se encontram
brincando feito amantes
em cada movimento
dos dedos entrelaçados
é a volúpia
quando se apertam
suadas quase cansadas
é a ternura do gozo
na sublimação do amor
Milton Gama

DOSE Nº. 27
fazer sonho é fazer vida
abstrato da poesia
faço de você poema de um dia
terça-feira de carnaval
corpo cansado mente aberta
lá estava eu e você devagar
divagando
soltando o laço da corda
perdidos na multidão
querendo se entranhar
soltar nossa solidão
soltamos
na volúpia tema e ardente
perpetuar esses momentos
bem que desejo ainda
o caminho desse corpo
navegar nessa chuva
nessa floresta humana
deixe-me imaginar o sol
as luzes resplandecendo
o calor das vozes soltas
dos ecos perdidos
no tempo que poderíamos ser
não fomos
ah! carinho que se foi
com vontade de ficar
ficou nas ramas
das árvores rasteiras
querendo crescer
crescendo
vamos sendo
as tentações dos amores
vividos em carnavais
Milton Gama

DOSE Nº. 28
como é difícil viver
na sua doce plenitude
esse sonho inacabado
busco paz nas alturas
o verde vai de mansinho
o acalento vai também
agarro nas últimas veias
soluçando poemas
como é triste um poeta
morrendo de amor
ah! se você soubesse do mel
corpo de fogo mão de pétalas
ternura de paz todos os desejos
todas as camas são vazias
fêmeas fêmeas nada mais
oh! espírito de Vênus
ilumina essa vida
traz ao meu sonho
esse resto de sonho
que farei um sonho maior
Milton Gama

DOSE Nº. 29
sonho sobre os sonhos
de uma rosa perdida
as vibrações coloridas
dão força para revivê-la
com mais vida
menina crescida
triste nas dores do mundo
meiga e agressiva
em andanças descontraídas
o tempo passa
entre aplausos
dançando o ritmo do amor
serás a dona da festa
Milton Gama

DOSE Nº. 30
ela veio de longe
formas esculturais
eloqüente de desejo
se fez amante
nossos corpos alucinados
sussurrando delícias
frenéticos entranhados
sobrevoavam em todos espaços
era a ganância animal
louca e inesquecível
transpirava uma bela fêmea
às vezes fugia do tempo
numa busca incógnita
no silêncio do seu mundo
ela se foi
deixando resíduos
de uma grande mulher
Milton Gama

DOSE Nº. 31
você veio como plumas
acariciando minha solidâo
nos olhos inspirando amor
mergulhei nos mistérios
senti nossos momentos
amigos talvez amantes
início de uma verdade
não sabemos onde
na lembrança na eternidade
dos velhos pensadores
vamos feitos criança
buscar essa bola
antes que desapareça
no quintal do mundo
Milton Gama

DOSE Nº. 32
meu sonho na sua voz
é como o canto do sabiá
meu sonho no seu olhar
é como estrela cintilante
vocé foi um sonho forte
no aconchego da solidão
amda penso que existe
somos vidas feridas
mas existe uma saida
de corpos que são abraços
vamos brincar de ser gente
na claridade do amanhecer
vamos despertar o animal
na penumbra do entardecer
Milton Gama

DOSE Nº. 33
quando você passa
enchendo os olhos da praça
com esse andar faceiro
de quem procura companheiro
você é
a ilusão
quando você passa
enchendo os olhos da praça
com essa voz sussurrada
entoando a melodia encantada
você é
a canção
quando você passa
enchendo os olhos da praça
com esse sorriso tesudo
nesses lábios carnudos
você é
a paixão
quando você passa
enchendo os olhos da praça
com esse belo traseiro
balançando igual a coqueiro
você é
a sedução
quando você passa
enchendo meus olhos de graça
ah! como eu gostaria
de viver essa alegria
molhar meu pincel por inteiro
nesses lábios carnudos
pintar nesse empinado traseiro
vários poemas tesudos
Milton Gama

DOSE ESPECIAL
para katita
e gama neto
 vida
e paz
vem menina tão linda
como a ternura de se dar
vem conhecer este poeta
com vontade de amar
namorar é nosso feitio
você vem como princesa
eu sou todo vadio
vamos sem nada saber
rindo de todos os risos
ah! vida de se viver
agora
nesse rosto de lua cheia
nessa barriga de lua nova
existe um pedaço de mim
como se fosse um beija-flor
solto procurando um jardim
vem filho
traz no semblante
a beleza do nascente
o encanto do poente
na ternura desse dia
há de ser um verso firme
puro néctar da poesia
|
sabe meu filho
o amor
essa força inconsciente
eleva e encanta a gente
a luz do seu templo
resplandece sobre a razão
o sentimento da poesia
é mais forte que os conceitos
mais leve que o ar
filho
a vida é como o céu
onde toda estrela é luz
mas só a que se movimenta
brilha
estou indo agora
mas não indo embora
não estou rindo
pois vou dividido
meu filho
somos um belo prolongamento
cheio de vida e um dia
entre a chuva e o verde
viveremos toda nossa alegria
|
Milton Gama

TRIBUTO AO FÍGADO
para paulo
rescala
o vívido
eu tenho um amigo
embalando meu coração
a casa dele é meu corpo
e somos uma bela canção
ele é o ritmo
eu sou a melodia
sem ele bem
não existe harmonia
eu sou a vida e sonho
ele é a festa e a vida
como somos compactos
é impossível haver despedida
quando driblo a inteligência
ele não reclama ele sente
e ri demonstrando paciência
ouvindo meu ego inconseqüente
é importante amar esse amigo
antes que algo aconteça comigo
sem ciúme meu amado coração
um brinde ao fígado nossa tesão
Milton Gama

TRIBUTO AO PRIMEIRO DO ANO
nessa noite branca
o mundo se encanta
encanto bonito
na luz do infinito
infinita música
nas vozes telúricas
telúricbs amantes
por alguns instantes
instante espontâneo
alegria sem tamanho
nesse dia esperança
o homem é criança
e a vida se a paz
na beleza da paz
(e nesse calor humano
viva o primeiro do ano)
Milton Gama

MESTRE RESCALA
a pintura
Milton Gama

TÔNIA CARRERO
a beleza
T ernura de uma beleza
infinita
O nde a força resplandece
a vida
N o sensual jeito de ser
mulher
I dolatrada pelos amantes
e amada
A ssim como todas as Deusas
C orpo feito com amor
A miga suave da sedução
R iso maior do espelho
R adiante como amanhecer
E nvolve na luz da poesia
R aios da bela Afrodite
O nde o sol a noite vai amar
Milton Gama

TRIBUTO A BRASÍLIA
Cidade prometida
Onde o espaço humaniza
A civilização arborizada
Sem o impacto do concreto
Cidade gente
Onde o homem em busca
Dialoga com o semelhante
Tornado numa casa amiga
Cidade beleza
Onde o conjunto das formas
Numa visão de harmonia e arte
Define em metrópole-interior
Cidade civilização
Onde o homem ultrapassa
Vivendo a lógica da vida
Sem a vergonha do meio
Cidade mulher
Onde ela descobre a razão de ser
Transpira por todo corpo o amor
Cidade gente do futuro
Milton Gama
alice
visualizando a beleza a ternura o amor
fiz esses poemas pensando em você
essa imagem linda
que me transmite tanta paz e ilumina
o sonho da poesia que existe em meu ser.
Milton Gama
PRIMEIRO POEMA
tinha que ser um dia bonito
estava escrito no Olimpo
era de manhã
um dia quase normal
se não fosse aquela tranqüilidade
era um dia como os outros
mas naquele eu sentia algo
algo novo
como se eu fosse ar
procurando uma vida
que me pudesse respirar
e andei
e como andei
mas tinha que ser um dia bonito
era noite
já cansado de tanto voar
já cansado de tanto beber
olhei vi senti
e a poesia fluiu
em versos bêbados e límpidos
ela também sentiu e despertou
e nessa abençoada quarta-feira de abril
iluminado pelos Deuses lá do Olimpo
nascia um verdadeiro e bonito amor
Milton Gama

SEGUNDO POEMA
os meus olhos
têm o tamanho
do teu olhar
o meu sorriso
tem o tamanho
do teu brilho
a minha vontade
tem o tamanho
da tua ansiedade
a nossa vida
tem o tamanho
da verdade
vem vamos ser
o encanto
desse amor
Milton Gama

TERCElRO POEMA
sinto um cheiro novo
de uma pétala macia
acariciando meu rosto
navegando meu corpo
faço-me jardim
vejo o beija-flor
cantando dançando
o ritmo vivo do amor
Milton Gama

QUARTO POEMA
esse brilho
será uma força
de horizonte distante
ou uma simples vida
querendo viver
somos novos sonhos
em vidas antigas
somos raiz profunda
brotando nova planta
com flores do amor
beijando o sol
penetrando na lua
e o bonito universo
escrevendo na nossa vida
mais um verso
como se fôssemos poemas
em nuvens de bolhas de luz
colorindo com amor a poesia
Milton Gama

QUINTO POEMA
é estranho
essa sinfonia de sentimentos
sensação forte
vou nesse abraço
navegante de amor
é estranho
essa sinfonia de sentimentos
já não sei se é noite ou dia
se a onda é tormento
ou se o sonho é vento
embalando nossa alegria
é estranho
essa sinfonia de sentimentos
envolvida de felicidade
acalmando a tristeza
entre o sol e a lua
e unificando a beleza
de nossa vida bela e nua
Milton Gama

SEXTO POEMA
esse rosto
esses olhos
esse brilho
já existiam nos meus sonhos
essa voz
essa meiguice
essa música
já existiam nos meus sonhos
esse corpo
esse andar
esse calor
já existiam nos meus sonhos
esse amor
esse fogo
esse carinho
já existiam nos seus sonhos
e esse ano do encontro
será eterno no tempo
da nossa vida do nosso amor
Milton Gama

SÉTIMO POEMA
ilustração
márcia
magno
eu queria
um entardecer dourado
misturando o Céu e o Mar
dançando no arco-iris
as cores do amor
eu queria
um anoitecer romântico
com saudade do dia
num Céu iluminado
colorindo as estrelas
o halley que sonhei
eu queria
um amanhecer livre
um sol meigo
regendo o canto dos passarinhos
num ritmo forte e fagueiro
embalando as vidas nos berçários
eu queria ser esse dia
que alegria é seu aniversário
Milton Gama
|
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OITAVO POEMA
eu o homem
você a mulher
e Zeus batizou
com esse amor
unificados numa só
luz amplitude serena da vida
somos o sonho maior
e na festa dos amantes
os instrumentos brilham
ecoando nos horizontes
o bolero de ravel
Milton Gama

ÚLTIMA DOSE
quando
o homem se despir
e buscar a verdade
no sentimento da vida
direi somos autênticos
quarto
a teoria de darwim
deixar de ser praticada
e a vida for alimentada
direi somos humanos
quando a violência constante
juntar se ao perdão
a vingança for esquecida
direi somos pacíficos
quando
as ideologias em discórdias
aliarem-se numa só visão
buscando a plena realização
direi somos civilizados
Milton Gama


TRIBUTO A CHICO MENDES
vai acontecer
um momento esplêndido
vai estarrecer
num vácuo estupendo
a ganância humana
na sua visão tacanha
fará da bacia amazônica
uma explosão atômica
nesse momento hilariante
nesse vazio retumbante
histérico bestial meteórico
não haverá registro heróico
as estrelas explodirão
o mar será um vulcão
entre lamentos alucinados
todos serão inanimados
está acontecendo
uma visão estupenda
está resplandecendo
uma luz esplêndida
as trombetas estão tocando
as consciências despertando
e nessa suave madrugada
ouve-se uma nova alvorada
é a orquestra de chico mendes
formada de gigantes a duendes
elevando o homem a leveza
de conviver com a natureza
Milton Gama
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